Um grupo de funcionários terceirizados da saúde realizou uma manifestação para cobrar o pagamento de até seis meses de salários atrasados, na manhã desta segunda-feira (25).
Enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros e outros profissionais que atuam em hospitais públicos se reuniram na frente da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), no bairro Aleixo Zona Centro-Sul de Manaus.
Por volta das 8h, 20 trabalhadores com faixas e cartazes pararam o trânsito da Avenida André Araújo, sentido Centro/bairro. Os veículos foram liberados para trafegar na via após permanecerem parados por alguns minutos.
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Trabalhadores cobram posicionamento da Susam para solucionar os atrasos (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Segundo os manifestantes, os trabalhadores terceirizados da saúde representam a maioria dos profissionais que atuam nos hospitais públicos da capital. A categoria afirma que 2 mil trabalhadores terceirizados, contratados por quatro empresas, estão sofrendo com a falta de pagamento.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas, Entidades Filantrópicas e Rel. e em Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Amazonas (Sindpriv-AM), as empresas terceirizadas não estão cumprindo com várias obrigações trabalhistas. Há relatos de que empresas utilizam a mão de obra por três meses para evitar assinar carteira de trabalho.
“Temos pelo menos 2 mil trabalhadores prejudicados, que não recebem os salários e que toda vez sofre com esse atraso. A Susam repassa um mês e ficam dois ou três sem pagamento. As empresas não conseguem se organizar e todo tempo o problema é documentação. Porque antes da explosão de desvios de recursos da [operação] Maus Caminhos as empresas apresentavam holerite que estava depositando INSS e FGTS, mas isso não era verdade. Hoje tem uma equipe na Susam que verifica tudo isso. Se não tiver o depósito do FGTS e INSS a Susam não repassa a verba”, explicou a diretora do Sindpriv-AM, Graciete Mousine.
O sindicato considera a situação como crítica e não descarta paralisações dos serviços até final do ano. “O que é mais triste é agente está aqui se humilhando para receber um salário que nós trabalhamos. Quando o trabalhador cobra o salário atrasado é constrangido, assediado e ameaçado”, desabafou a líder sindical.
Os trabalhadores terceirizados enfrentam uma série de dificuldades para manter a família e até conseguir chegar aos locais de trabalho. O agente de portaria Wellison Magno Viana, de 21 anos, disse que está há seis meses sem receber a remuneração mensal.
“Estamos pedindo dinheiro emprestado e quando der vamos pagar. Tenho um colega de trabalho que tinha comprado um colchão, mas como não tinha pago a prestação a loja foi pegar de volta na casa dele. Estamos nos virando. Não dão nenhuma posição. Falam que é a Susam e depois falam para procurar a direção dos hospitais”, disse o agente de portaria.
O atraso nos pagamentos envolve profissionais da saúde que atuam nas seguintes unidades em Manaus:
Hospital Pronto-Socorro (HPS) Platão Araújo;
Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (ICAM);
Pronto-Socorro da Zona Sul;
Pronto-Socorro da Zona Oeste;
Maternidade Dona Nazira Daou;
Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) Alvorada;
Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) Coroado;
Hospital da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado;
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon).
